Principais sistemas de travagem activa no mundo dos pesados

Num sistema convencional de travagem, quando o pedal de travão é pressionado com muita força, numa situação de emergência, o bloqueio das rodas pode fazer com que o veículo entre em derrapagem e acabe por perder aderência à estrada.

Nas últimas três décadas o ABS sofreu grandes evoluções. Actualmente, trata-se dum sistema electrónico que, através do recurso a sensores de movimento junto às rodas, transmite a uma central electrónica a informação da velocidade de cada roda. Numa travagem de emergência a velocidade da roda cai abruptamente em relação à do veículo, e é nessa altura que o sistema ABS é activado, actuando por via electrónica sobre válvulas e bombas do sistema de óleo de travões.

Na prática, alivia a força de travagem que está a ser exercida sobre o travão dessa roda, abrindo uma válvula que permite o refluxo do fluído que acciona as bombas de travão conjuntamente com as pastilhas, no caso dos travões de disco, ou os calços de travão, no caso dos travões de tambor.

Para além de um melhor domínio da direcção do veículo, o ABS permite também reduzir as distâncias de travagem em estradas asfaltadas em relação ao sistema convencional, tanto em situações de piso seco como molhado, tornando-se um dispositivo importantíssimo para evitar a colisão, ou reduzir a força de impacto, quando tal já não for possível.

Hoje em dia, todos os camiões (rígidos e articulados), autocarros, e uma boa parte dos semi-reboques novos, são comercializados com ABS. Um veículo pesado, devido à sua altura, comprimento, peso e carga muito variável, tem menor estabilidade do que um automóvel e a distância de travagem é substancialmente superior. Daí que os construtores de veículos industriais tenham vindo a introduzir no mercado, na última década, conjuntamente com o ABS, um grande número de sistemas e dispositivos electrónicos de assistência e controlo de travagem.

No capítulo dos sistemas de assistência à travagem, figuram entre os mais importantes, o Sistema de Travagem Eléctrico (EBS), que efectua a activação do travão de forma eléctrica, permitindo assim uma actuação mais rápida dos travões.

Recorre a uma unidade de controlo EBS à qual são enviados os sinais de travagem e pode utilizar diversos sensores, como o de leitura e controlo do nível de desgaste das pastilhas de travão, o de controlo da temperatura dos travões, o sistema de sincronização do bloqueio do diferencial, sistema de controlo de tracção, entre outros, variando muito com o nível de equipamento e o tipo de aplicação profissional para a qual o veículo foi concebido. O EBS é muito utilizado em camiões rígidos, tractores, semi-reboques e autocarros com suspensão pneumática.

Algumas marcas de camiões, equipam também de série os seus veículos com a Assistência à Travagem (BAS), um sistema que aumenta a pressão de travagem quando detecta que o condutor efectua uma travagem de emergência, medindo a velocidade com que é aplicado o pedal de travão, e ligando os 4 piscas de emergência de forma automática.

Associado ao ABS, surge também com muita frequência o sistema de Distribuição da Força Travagem (EBD), tendo este por missão distribuir a força de travagem a cada roda de forma independente, de acordo com a aderência disponível em cada roda, com base nas condições de piso da estrada, velocidade, distribuição das mercadorias no compartimento de carga, etc.

Num veículo pesado de mercadorias, onde a distribuição do peso da carga sobre eixos varia frequentemente em função da operação de transporte, o facto do EBD poder aplicar mais ou menos pressão de travagem em cada roda, é fundamental para maximizar a sua segurança.
O Sistema de Controlo de Tracção, que surge associado às iniciais ASR ou TC, tem por missão a gestão da quantidade de binário transmitido às rodas. Trata-se dum sistema que detecta automaticamente as rodas que se encontram em derrapagem com base no binário transmitido pelo motor, limitando estrategicamente a sua aplicação consoante a intensidade de derrapagem. É muito eficiente em piso molhado, com gelo ou contaminado com óleo, tanto em recta como em curva. A maioria dos camiões de construção e estaleiro vem equipada de origem com este sistema.

Os veículos pesados começaram também a incorporar nos últimos anos o Programa Electrónico de Estabilidade (ESP), um software que utiliza os sensores e os atributos do ABS da Travagem Assistida e do Controlo de Tracção, para corrigir a trajectória e a derrapagem do veículo.
O ESP é um verdadeiro “Ovo de Colombo” para os camiões articulados, uma vez que um semi-reboque carregado em curvas estreitas ou em superfícies escorregadias, facilmente pode ficar sujeito ao chamado “efeito de tesoura” e despistar-se. O ESP pode evitar até 80% dos acidentes resultantes deste tipo de derrapagens. Detecta a iminência de derrapagem e intervém numa fracção de segundo, ajudando o condutor a manter o controlo do veículo, já que produz a força contrária necessária de modo a que o veículo reaja de acordo com a vontade do condutor.